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na rua dos meus sentidos

na rua dos meus sentidos

13
Mai14

E dois anos depois dás-te conta...

naruadosmeussentidos

do quanto mudaste!

 

do quanto arriscaste!

 

do quão inconsequente foste!

 

e do quão é tão verdade quando dizem que a vida encarrega-se de fazer o resto!

 

há 2 anos, a vida mudou, eu mudei, ou comecei a mudar, hoje a mudança mais visivel é o corpo, aquele que tanto maltratei, e que foi o primeiro a ceder.

 

hoje esse mesmo corpo é a face da mudança, a pequena face, os 20 kilos perdidos, escondem tudo o muito que mudou.

 

há 2 anos, larguei literalmente uma vida, sem saber muito bem a que iria agarrar a seguir. Disse não um emprego fixo, a 7 anos de vida profissional, a um laço efectivo, e a uma carreira de topo. Deixei cair, porque caí também. Cai-se quando se toma 8 comprimidos para dormir apenas porque se quer isso mesmo dormir, e não se dorme, acordamos. Para a vida. Da pior maneira. Foi com esses 8 comprimidos que acordei, acordei e disse não, não mais. Disse não, para me recuperar e poder dizer sim mais tarde. Foram 7 meses a compôr corpo e mente. Farrapos autênticos de tanto que os gastei. Pago até hoje os excessos que cometi por querer viver tudo, a profissão e a vida, boémia que tinha.

 

Hoje a vida mudou, bastante, eu mudei, bastante, apesar de ter voltado a trabalhar muito, hoje trabalho para mim num projecto 100% meu, desenhado à minha medida. A minha cabeça mudou, o meu corpo mudou. A minha tendência para os excessos, continuo a trabalhar nela, ainda estou a trabalhar em mim, sou por isso um projecto em execução, inacabado.

 

Hoje quando em pleno Continente me disseram que quase não me reconheciam por estar tão mais magra, eu sorri. Essa é apenas uma parte do quanto eu mudei desde 2 anos e o quanto ainda tenho para mudar.

 

 

 

13
Mai14

Saudades do corpo a saber a sal

naruadosmeussentidos

 

Não gosto de piscina. Gosto de praia. Gosto do sol mas não de ficar ao sol. Gosto de sol dentro de água. Gosto de Maio, Junho, Julho, Agosto e Setembro. Gosto de estar assim. Sem tempo. Gosto de não ter tempo de Outubro a Junho para ter todo o tempo do mundo em Julho e Agosto. Gosto e tenho saudades de beijos a saber a mar. De esplanadas ao final de tarde, de andar descalça no chão de tijoleira da minha avó. De adormecer à tarde, à beira rio. à sombra à beira rio. Gosto dos mergulhos às 8h da noite e às 7 da manhã. Gosto de sujar a casa com a areia da praia que trago nos pés. Está quase, Sara Maria, está quase.!

12
Mai14

Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és

naruadosmeussentidos

Eu já não sei estar entre adultos, não me sinto bem. perdi o jeito. Não lido bem com as conversas formais, os duplos sentidos, o que é suposto ser-se e dizer-se. Ontem na festa de anos de um dos putos, desejei mil vezes estar lá dentro no meio deles, dos meus, a ver jogar playstation, do que na sala, com os supostos "meus".

 

 

12
Mai14

Desculpas, precisam-se! (da espuma dos dias ou da falta dela)

naruadosmeussentidos

Os dias não fazem espuma, não há tempo para isso, é leito de rio corrido, em alta velocidade qual rafting. Sentes-te um pouco como um atleta de alta competição...sentes e vives assim. Comer, dormir, trabalhar, pelo meio viver ou por vezes viver.

 

Os aniversários são te lembrados, tu ouves as sms com um não te esqueças que a tua amiga de infância a tal que te atura desde os 2 faz anos, aquela que não te põe a vista em cima há meses porque tu não tens vida, aquela que mesmo assim não se esquece de ti, tu ouves o lembrete e o ralhete, visualizas mentalmente o tanto que ainda tens para fazer e dizes para ti própria, se der.

 

Roubas uma hora ao sono pensas tu, e vais. Vais ouvir sorrisos, risos, e vais, arranjas tempo e vais. E foste. Bates à porta mas não ouves sorrisos.

Os aniversários já não são o que eram, as pessoas andam tristes, festejar para quê, tu sentes-te enganada, querias festa, merecias festa, mas não, não há razões para festejar, nem ânimo, o máximo de festa que houve foi a festa que fizeram ao ver-te, aqueles que ainda se encontravam acordados. E a uma pessoa dá-se-lhe para a nostalgia, recorda-se anos anteriores, em que a mesa estava cheia, a casa estava cheia, e o barulho era muito e sente-se defraudada.

 

E pensa, e as desculpas pá, eu que sempre pensei que há coisas que inventamos como desculpa para reunirmos os amigos, os aniversários, os casamentos e até os funerais que muito aprecio, apenas e só porque têm o dom de reunir gente que não se vê há muito.

 

E percebo, ou tento, não há desculpas para esta vida. Não se desculpa a esta vida.

 

Bebeu-se um chá, das velhas. E só.

 

Eu vim para casa sem festa. E só.

 

09
Mai14

Quando uma ida ao lixo é um murro no estômago

naruadosmeussentidos

Sempre me fez confusão ver pessoas ao lixo, literalmente. Sempre me questionei de como seria a vida dessas pessoas para as obrigar a isso. Cheguei-me até a perguntar se realmente eram obrigados a isso, já que muitos o fazem já quase por rotina e outras quase por vício. Uns procuram ferro, outros coisas coisas boas que não servem para outras mas para eles sim e outros apenas sobrevivência, que é como quem diz restos dos pratos dos outros que são muitas vezes o seu único prato do dia.

 

O facto de ultimamente ter uma rotina permite-me dar-me conta das rotinas dos outros, mesmo quando os outros são as pessoas que vasculham os caixotes de lixo. Reconheço o rapaz novo que vai de bicicleta sempre ao final de tarde, reconheço o que usa luvas já gastas no final da manhã, reconheço o senhor de barba com porte de gente com berço mas vergado pelo vida no romper do dia. E reconheço em todos uma dignidade que talvez menos facilmente reconhecesse em mim em situação idêntica, mostram-se, chegam-se perto, abrem os caixotes e vasculham, sem se preocuparem com os olhares dos outros.

 

Hoje, como sempre fui pôr o lixo no caixote, e levantei como sempre a tampa por trás e atirei o saco como faço tantas e tantas vezes só pela preguiça de ir dar a volta.

 

Mas desta vez a tampa não se fechou sozinha. Do caixote, vejo uma cabeça que se mostrou e se escondeu logo de seguida tapando-se com a mesma tampa que eu inconvenientemente abri. Pedi desculpa, não me assustei. Retenho sim o olhar azul assustado numa cara com pele gasta pelo sol, assustado e envergonhado de bicho do mato levado àquilo, aquilo, de andar ao lixo, já que caçar já não pode, e pedi desculpa, uma, duas vezes e afastei-me com vergonha por viver num mundo destes, em que pessoas como eu se vêem obrigadas a isso.

 

E pensei isto é cena de filme, é, só pode ser mas não, isto é cena de uma sociedade que não vê o outro, que empurra para situações desta gente como eu, de carne e osso.

 

Isto não foi uma cena de filme, mas queria tanto tanto que fosse.

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