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na rua dos meus sentidos

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25
Fev15

As minhas amigas são minhas amigas há 33 anos

naruadosmeussentidos

As minhas amigas são minhas amigas há 33 anos, e são minhas amigas porque são muito mais minhas do que eu alguma vez fui delas. As minhas amigas são minhas amigas desde o tempo que eu ainda quase usava fraldas, emprestei-lhes a mãe que tomava conta delas e elas emprestaram-me o irmão mais velho. As minhas amigas são minhas amigas ainda do tempo de brincar na rua, do tempo dos piqueniques e das coisas pequenas mas grandes.

As minhas amigas são minhas amigas ainda do tempo em que trocávamos mensagens de varanda a varanda.

As minhas amigas aturaram-me muita coisa, não fosse eu a caçula, as minhas amigas viram-me a trilhar os caminhos mais sinuosos de todos, viram as minhas travessias no deserto e nunca me cobraram a presença, foram mais os momentos de ausência da minha parte do que de presença, ou por excesso de trabalho, ou por excesso de diversão ou por excesso de ambos ao mesmo tempo. As minhas amigas, irmãs, com 1 e 2 anos de diferença para mim, são do tempo em que se chumbava para que eu as pudesse apanhar e isto é veridico, e eu acompanhei-as até que as deixei ficar para trás, as minhas amigas deixaram-me ir, incentivaram e viram a "irmã" mais nova voar, ir para longe fazer novos amigos, tantos e tantos tantos quantos fossem os lugares por onde passava. As minhas amigas viram-me ao longe demasiadas vezes, ao largo delas, e deixaram-me ser de outros sabendo sempre que há laços que nunca nunca se quebram.

 

 

E este é um deles, hoje com 35 anos, apesar de todos os muitos amigos e bons que tenho, esses nunca estarão ao nível destas minhas irmãs, muito mais que amigas, as minhas irmãs, as que me emprestaram pai, mãe, irmão e que hoje me emprestam sorrisos, as que ainda hoje se revezam para ir andar comigo, sabendo que o andar é o meu ponto de equilibrio, e que me vendo descambar se revezam para me manter no trilho, hoje mais perto, em tempos mais de longe mas sempre vigiando-me os passos.

 

Eu amiga delas nunca as soube entender muito bem, nunca partilhei de algumas crenças que têm, não as nego mas nunca me deixei contagiar pelas mesmas, desconfio, sou arredia, digo que não sou capaz. Mas ontem numa das caminhadas, olhei para o lado e pensei, mais do que pensar decidi que vou ser capaz, que vou ter de as acompanhar mais, que a estrada se faz de dois sentidos e que é assim que vai ser daqui para a frente.

 

Crescemos, ficámos diferentes, discordamos mais do que concordamos, damos importância a coisas diferentes, acreditamos em coisas diferentes, mas depois há aquele amor, criado e enraizado na infância, há a saudade dos tempos bons e a certeza de que tivemos a melhor infância e adolescência que podíamos ter tido, e é isso que nos une muito mais do que o que nos desune, sendo que não há nada que verdadeiramente nos desuna, não me lembro de nenhuma zanga se é que ela alguma vez existiu, não me lembro de nenhuma má palavra de parte a parte, e eu até sou respondona, mas nunca em 33 anos lhes respondi mal, deixei de falar, me zanguei, nada...e isso é tão mas tão fácil de explicar...chama-se amor amigo.

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