Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

na rua dos meus sentidos

na rua dos meus sentidos

29
Set14

Correr também é isto

naruadosmeussentidos

Correr é dar cabo de tlms, sim, que eu comecei a correr pelo belo prazer da coisa e nos meus tempos de atletismo só precisavamos das sapatilhas, duns calções e duma t-shirt. E foi com isto que comecei, isto e o tlm a servir de relógio para evitar entusiasmos. À antiga, pois claro, que há antiga não havia cá tlms quanto mais bolsinhas x pto para levar os mesmos no braço. Claro está que o suor e tlms não se dão bem e assim se deu cabo de dois, um a seguir ao outro. Hoje e graças à Radio Popular fomos buscar um dual sim, touch e desbloqueado, é preciso morrerem dois para abrir-mos os cordões à bolsa e comprar algo melhorzito, embora tenha cá para mim que eu e touches não nos vamos dar bem, nada bem...ainda estamos a tentar perceber como atender chamadas...

 

28
Set14

Os silêncios são para calar

naruadosmeussentidos

Ontem quando olhei para ele, vi-o como nunca vi. Vi-lhe e admirei-lhe uma outra beleza, da qual gostei mais até do que aquela que me fez há 7 anos apaixonar por ele à primeira vista. Ontem com mais 7 anos em cima, sorri, e disse ó bolas, porque não me apaixono aqui e agora por este caramelo. Mil vezes ter me apaixonado ontem, do que há 7 anos atrás. Não, que me arrependa do que vivi à 7 anos atrás, apenas e só que hoje acho que tinha melhores condições para construir algo com aquela paixão e não apenas vivê-la enquanto durou. Acho que hoje saberia viver aquela paixão mil vezes melhor e teria sabido transformá-la em algo maior. E ontem ao admirá-lo senti pena por mim e por ele, por isso por mais do que não o termos sabido fazer, a vida não nos dar uma outra oportunidade para o fazer. Pena, porque hoje olhando para os dois e a forma boa como crescemos e virámos o passar dos anos a nosso favor não tenho dúvidas que o saberíamos fazer. Acho que hoje teríamos sabido dar um fim melhor aquela paixão do que aquele que demos. Ontem que já era hoje de tão madrugada que era, fiz questão de lhe ir desejar sorte nesta nova aventura da vida dele, fiz questão de lhe dizer o quão é importante para mim, e fi-lo prometer que voltaria são e salvo pois eu preciso muito dele, e vou precisar para sempre, que é uma das minhas pessoas da minha vida e que para a vida o quero e faço questão de ter. E disse-lho sem vergonha nenhuma e hoje esta é uma das minhas maiores vitórias e qualidade, o ter perdido o medo de dizer às pessoas o quanto gosto delas, o quanto preciso delas e fazer questão de lhes dizer. E dele preciso tanto mas tanto. Preciso que esteja à distância de um telefonema sempre que eu tenho a humildade de dizer que preciso de ajuda, preciso dele para me dar 2 berros sempre que eu me armo em parva, ou preciso dele apenas para me fazer rir das suas coisas parvas. Preciso dele por aquele sorriso malandro que me desarmou à 7 anos e continua a desamar-me ainda hoje quando estou de cara amarrada. Preciso dele por causa daquele abraço que é o que melhor se aproxima à casa que eu um dia quero ter...o coração de alguém...Por isso volta...

28
Set14

57

naruadosmeussentidos

De repente chegamos aos 57kgs, e não somos nós, nós que estabelecemos o objectivo que demos por ela, foram os outros. O bom desta transformação foi mesmo isso, foi o facto do objectivo inicial ter perdido a importância e outras coisas bem mais importantes terem ganho o destaque que deveriam ter merecido logo de inicio. Quem diria que eu hoje conseguiria correr 5kgs sem me cansar, que correria de manhã e à noite e que preciso disso para viver e me sentir bem como de água e pão para a boca se tratasse. Quem diria que eu hoje participaria de um grupo de corrida nocturna, me inscreveria com frequência em corridas. Quem diria que a corrida nos voltasse a juntar a todas, as da infância, me trouxesse o convivio da familia que esteve cá sempre mas que hoje com a desculpa da corrida está diariamente. Os 57 esses vieram por acréscimo, mas o que de facto valeu a pena, não foram os 20kgs perdidos em 2 anos, foi a pessoa em que me tornei, o facto de hoje me cuidar como nunca me cuidei. Olho para mim quando me dizem que estou magrerrima e não sou eu, acho que me vou sempre ver como gorda, o meu corpo ainda continua a ser aquele que via ao espelho há tempos mas a minha cabeça e isto é engraçado reconheço que está bastante diferente, tão diferente que hoje quando olho para trás reconheço o corpo mas pouco mais. Esta sou eu. Com 20 kgs a menos e uma cabeça completamente diferente.

14
Set14

Eu não me canso de ser humana

naruadosmeussentidos

Sei o que é cansaço do trabalho, sei o que é sentir-se cansada porque se trabalha demais e se ganha pouco, sei o que é isso mas também sei que nunca o cansaço me tornou desumana.

 

Ontem dei comigo sozinha num hospital com o meu pai, o meu bem mais precioso, e por isso mesmo, o bem do qual tenho mais medo de perder. Ontem em pleno corredor chorei pela incapacidade que tive de o proteger, pelo medo que tive de o perder, e pelo raiva e tristeza que tenho por todos nós que vivemos à mercê de um país que não sabe respeitar os seus velhos, sejam eles o meu pai ou o pai de alguém.

 

Ontem o meu pai deu entrada num hospital público, porque nos recusámos sempre em fazer seguro de saúde, porque achámos, ele sempre, eu nem sempre, que se pagamos impostos, se cumprimos as nossas obrigações alguém tem de cumprir connosco, há deveres e direitos, ou havia sei lá...o que sei é que ontem em pleno corredor, jurei a mim mesma que quando de lá saísse o meu pai iria ter um seguro de saúde e nunca mas nunca mais passaríamos por isto.

E isto, foi o sentir que ninguém queria saber, que se pode morrer sem socorro num local de socorro. Foi entrar às 17h e sair às 3 da manhã. Foi ver velhotes em macas a delirar sem ninguém responsável se abeirar deles, sem lhes perguntar se queriam algo, sem os ver comer durante horas.

Foi ver o meu pai a desfalecer, e ter de quase implorar que fosse visto. Porque a triagem não é de todo uma triagem. Porque não se compreende que se vá primeiro a um guichet, se vá depois para uma sala de espera, se seja depois então chamado para uma triagem, onde sequer nos olham na cara, é o questionar e por isso ser castigada, e não nos darem o autocolante de acompanhante por pura represália. É desesperar e chorar compulsivamente e ser segura e ajudada por seguranças que apesar de tudo se mostram mais humanos e vão facilitando a vida a quem se preocupa porque se fica com a sensação que ninguém se preocupa.

 

É ir para uma sala de espera e ver 3 médicos que em 3h atenderam 3 pessoas se muito cada um, é passar-me dos carretos porque se vê um médico ser mal educado com alguém que tem idade para ser meu avô e que perante tantas dores fez o mesmo que toda a gente faz, pede auxilio quando nem sequer  o devia ter feito, pois é suposto estarmos num sitio em que nos providenciam o mesmo. Pedir por algo que é nosso por direito é revoltante.

E perante respostas como estou aqui desde às 8h da manhã, o que é que uma pessoa responde, responde que o que importa não são as horas, mas sim o que se faz durante as mesmas, o que me interessa a mim que um médico esteja nas urgências das 8h às 20h se durante as mesmas não produziu. Porque revolta termos de lembrar a alguém que não está ali a fazer-nos um favor mas sim a trabalhar para quem lhes paga o ordenado e que merece ser respeitado. É triste termos de o fazer, como é triste ver os nossos velhos em maca a gemer horas a fio e ver médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar e vê-los passar e nem sequer se abeirarem deles para ver se precisam de algo, é triste vê-los ali das 17h às 3 da manhã sem comerem e sem ninguém se preocupar com isso. É triste termos de levantar a voz mesmo que tenhamo razão. É triste ver 3 médicos saírem do seu turno e deixarem uma fila de espera interminável para o colega que veio a seguir, um apenas, que foi incansável, que trabalhará as mesmas horas que os outros mas que produziu efectivamente mais, que cumpriu efectivamente mais, que se preocupou efectivamente mais, e que foi sem dúvida alguma mais humano que todos outros supostos profissionais de saúde que por ali andaram aquelas horas todas, foi vê-lo a ir buscar os doentes, os equipamentos, o que fosse preciso, foi vê-.lo a trabalhar e isto só se torna extraordinário, quando apenas devia ser normal, porque os outros foram efectivamente maus. O cansaço, a falta de meios não justifica a falta de humanidade, digo eu...

 

PS: e sim, a questão é de se se é bom ou mau profissional, e isso tanto há no público e no privado, certo, a questão é que no privado, alguém olha para as coisas e os maus não tem lugar cativo, ou não têm sequer hipótese se serem maus porque há quem os controle, os chame à responsabilidade.

 

PS1: de ressalvar a diferença abismal de todos os profissionais de saúde com quem contactámos nas análises clínicas, na sala de RX e até na cafetaria do pessoal já que o bar do hospital estava fechado. A todos o meu bem haja.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D